Adormeci na fazenda, ainda transtornado pelo prejuízo da queimada da floresta do Roncador. Ao amanhecer o dia, tomei uma decisão imediata. Senti na alma que deveria fazer uma viagem um pouco distante do meu rincão. Decidi ir até o sul de Minas, em um local também tão sagrado como o Roncador. Ali esperava encontrar paz e tranqüilidade, confiança e certeza diante daquilo que me transtornava, me criava dúvida e me deixava confuso sobre o que acontecera. Saí em silêncio, sem dizer a ninguém onde iria, e embarquei para a grande capital, São Paulo, levando sementes de frutas do cerrado do Roncador para plantar em Minas Gerais. Tinha certeza que as sementes ali germinariam e ali iriam florir, como esperava que novos sentimentos e pensamentos florissem em mim.
Chegando a São Paulo, trazia comigo 4 sacos de sementes de baru, que é uma planta sagrada, para plantar naquele solo abençoado. Não tinha clareza do que iria acontecer.
De São Paulo, tomei um ônibus até o sul de Minas onde fica Figueira. Ali fui acolhido com muito carinho e amor fraterno e verdadeiro por aqueles irmãos que confraternizaram comigo e me ajudaram a entender o motivo do tamanho da dor e o prejuízo que ocorreu lá na distância, na minha propriedade.
Pude ver que naquele solo sagrado plantaria não somente uma semente mas também uma semente de carinho e amor das pessoas que me receberam naquele momento difícil seria plantada em mim. Por uma semana, ali permaneci, onde podei árvores, plantei sementes, na certeza de que elas brotariam asism como brotou meu sentimento de paz e tranqüilidade naquele local, junto daquelas pessoas. Pude ver que a ferida da alma cicatrizava com o verdadeiro amor que as pessoas tinham nos seus corações, e diante do abraço e carinho de todos aqueles que me acolheram.
Quando me senti pronto e curado, resolvi retornar ao meu local, trazendo dentro do coração o reconhecimento de tudo aquilo que antes não podia entender. Já não havia mais dor nem sentimento e sim um reconhecimento fraterno pelo Universo que me levou até lá. Hoje eu sei que minha trajetória de ida até aquele local foi um pouco difícil, até chegar lá. Mas o caminho de volta foi suave como uma brisa, livre como os pássaros que voam, e com uma nova visão de recomeçar tudo aquilo novamente pois uma vez que a natureza destrói para se refazer, assim eu me senti parte dela, me destruindo para me refazer, mas voltando pronto para recomeçar.
Até então não conseguia entender. Diante do apoio e da atenção de todos aqueles que sentiram junto comigo a dor de uma queimada em um lugar sagrado, pude perceber que a natureza destrói e constrói. Esta é a natureza da evolução, onde nada se perde e tudo se constrói, se renova. Então só aí pude entender realmente o que era a alma do roncador, me levando para distante, como o falcão que voa, de cima olhando para baixo, sabendo o que se tem de fazer.
Mais uma vez, tive a certeza do quanto o Roncador faz parte da minha alma e do mundo de todos aqueles que um dia estiveram lá direta ou indiretamente. Pude ver que o amor não é só aquele diante dos olhos mas sim a energia que irradia no universo pois na distância pude ver o quanto o amor das pessoas estava naquele local, ajudando a cicatrizar a ferida que foi um dia provocada pelo fogo.
Em dois dias, retorno ao Roncador. Posso dizer que o fogo queimou e as cinzas molharam com a chuva, o capim brotou como os novos pensamentos pois a natureza é perfeita. Pude então perceber que um solo sagrado pode se queimar mas não pode acabar. Tudo isso foi uma experiência em minha vida neste local. Numa trajetória de 16 anos, vivenciando todos os momentos e todos os sentimentos deste lugar sagrado.
Volto com a certeza de um grande recomeço, pois na vida temos a chance de recomeçar e é isto que eu vou fazer. Um novo horizonte se abre à minha frente, dando a certeza de começar um novo ciclo de vida, como um guerreiro.
Maurinho
Foi um prazer ter você conosco em São Paulo. É uma cidade muito grande, entre as maiores do mundo, e tem por isso muitas dificuldades. Mas é linda e exige guerreiros fortes como você para viver nela. Volte sempre.
- “Você nunca estará sozinho, Mauro”
O Grande Cacique.
http://lifeconsulting.multiply.com/journal/item/172
Caio Eduardo
Meu primeiro passeio a serra do roncador foi no fim deste ano de 2009 ,mais precisamente nos dia 27 a 30 de dezembro.Tive a feliz surpresa de conhecer um homem simples de alma grande ,chamado na região carinhosamente de Maurinho.Este grande ser humano ,com sua simplicidade e doçura nos recebeu na encosta do portal do roncador ,nos guiando e nos mostrando atrávés de nossos vários sentidos ;visual(belezas da natureza intocada), tátil(vento e ar puro),auditiva (som dos passaros e da chuva).Falei a Maurinho do meu oficio de psiquiatra ,e este mui respeitosamente pareceu entender que havia em minha alma uma necessidade de descanso dos sentidos.Foi o que senti ao final das duas trilhas feitas com este ser humano maravilhoso ,e escolhido para ser o guardião do portal por este DEUS que esta em tudo e principalmente em nós.Somos parte de Deus ,assim como o ar ,a terra , a água ,o céu e todos os seres vivos e inanimados existentes neste universo. Parabens Maurinho,em breve volto a te encontrar.Abs Ulysses e Eneida
…
Serra do Roncador*
Sítio da Introspecção no Caminho do Auto-Conhecimento…
…acolhimento e cumplicidade na simplicidade do Ser…na Pessoa genuína do Maurinho…O Guardião*.
shalom***
Olá!
Quero lhe agradecer a gentileza que teve em nos receber no último dia 10/08, junto com o Eliseu (mande um beijo a ele, é um menino especial, o desenho que ele fez da montanha é lindo), a Naide e o seu Esposo. Aprendi muita coisa e entre elas que a vida consiste em usufruir dos momentos como aqueles no Roncador. Grata por vc ser ser tão especial, acho que é a pessoa certa no local certo, Lugar Sagrado. Estou em casa, Mauá-SP, mas, acho que não a mesma, pois, sinto que Aquela experiência modificou a minha Alma. Foi muito Intenso e ao mesmo tempo suave. bjs.
Olá!
Quero lhe agradecer a gentileza que teve em nos receber no último dia 10/08, junto com o Eliseu (mande um beijo a ele, é um menino especial, o desenho que ele fez da montanha é lindo), a Naide e o seu Esposo. Aprendi muita coisa e entre elas que a vida consiste em usufruir dos momentos como aqueles no Roncador. Grata por vc ser ser tão especial, acho que é a pessoa certa no local certo, Lugar Sagrado. Estou em casa, Mauá-SP, mas, acho que não a mesma, pois, sinto que Aquela experiência modificou a minha Alma. Foi muito Intenso e ao mesmo tempo suave. bjs.
Estava conversando com a Neusa, a gente não para de Agradecer a Deus tão sublime presente, de conhecer e viver a Alma do Roncador, bjs.
Ave, monêgo!
Irmão seria a palavra mais certa que acharia pra falr contigo, porque sei que logo vamos nos encontrar por aí e vamos falar como irmãos, de lágrimas, de força e de destino.
Quando vc falou do fogo logo me veio um nó sem tamanho na garganta porque só quem passa por um fogo, sabe da purificação, sabe da tristeza, vive a angústia e pensa no sofrimento. Aqui aconteceu muito perto da gente o fogo e sempre vem de onde menos se espera: da loucura que é o ter e o poder. Aí é que está a insanidade da humanidade.
Ou não seria? Posso estar bem fora da ideia, mas por aqui sempre foi assim. Nosso dilema é com os plantadores de pinus e os criadores de gado. Isso é dor. Na verdade ninguém precisa comer carne vermelha.
Acho que é demais pra terra. veja nossos antepassados índios, comiam, certo, mas respeitavam. Essa éa diferença. Acho que o homem de hoje perdeu a facilidade da carne, tem que se contentar como mato.
Essa conversa vai longe, amigo, acredito que vamos falar pessoalmente e não demora muito. Assim, nem vou muito longe na escrita, que cansa a gente: ler e escrever. Vamos no papo que é sempre melhor. Um convite, uma alumiação.
Um abraço e uma espera.
Um forte abraço.